terça-feira, 2 de agosto de 2016

Pelé confirma convite para acender pira olímpica na abertura da Rio-2016!!!

Pelé confirma convite para acender pira olímpica na abertura da Rio-2016

Pedro Ivo Almeida
Do UOL, no Rio de Janeiro
Maior símbolo do esporte brasileiro, Pelé confirmou que recebeu convite oficial tanto do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) como do Comitê Olímpico Internacional (COI) para acender a pira olímpica na abertura dos Jogos Rio-2016 – na próxima sexta-feira (5).

"Recebi o presidente Nuzman, ele fez o convite oficialmente. O presidente do COI também fez. Preciso resolver a liberação da viagem. Seria um compromisso internacional com uma firma inglesa. Mas gostaria muito de fazer", afirmou Pelé.O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, convidou Pelé pessoalmente, enquanto o mandatário do COI, Thomas Bach, fez o convite por telefone. 

"Eu tenho uma viagem marcada, por contrato, neste dia da abertura. Estou conversando ainda isso. Se eu conseguir mudar, queria ter a honra de acender. Estamos vendo", explicou o Rei. 
Já em conversas com o Comitê Organizador do evento, Pelé negocia detalhes de como seria sua participação na cerimônia com o fogo olímpico. De acordo com o estafe do jogador, a decisão final sairá até quinta-feira (4).
“Claro que ele quer, tem vontade. Estamos conversando, resolvendo alguns pontos disso. Resolveremos isso em dois dias”, explicou o assessor pessoal de Pelé, José Forno Rodrigues, o Pepito.
Pedro Ivo Almeida/UOL
imagem: Pedro Ivo Almeida/UOL
 
Outro ponto das conversas com a Rio-2016 é a questão da mobilidade de Pelé. Pessoas próximas dos dois lados discutem a logística do Rei na festa de sexta. Com problemas de locomoção, Pelé anda com o apoio de uma bengala e não estaria disposto a uma participação longa e com maiores dificuldades. A organização da cerimônia realiza os estudos finais para viabilizar as vontades do convidado.
 
Nesta terça, antes de um evento de lançamento de sua academia de futebol, Pelé se reuniu com o produtor executivo da cerimônia de abertura, Abel Gomes, em um restaurante na zona sul do Rio de Janeiro para negociar estes detalhes.

Após pressões, Renan diz que julgamento de Dilma será antecipado!!!

Após pressões, Renan diz que julgamento de Dilma será antecipado

Eduardo Anizelli - 11.mai.2016/Folhapress
Renan Calheiros preside sessão do Senado para decidir sobre a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)
PUBLICIDADE
Após a articulação montada pelo governo interino para que o julgamento final do processo de impeachment não se estenda até setembro, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta terça (2) que o processo de votação deve começar em 25 ou 26 de agosto.
A data precede a que havia sido acordada com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, em 29 de agosto.
"Com certeza nós temos como concluir isso antes do final do mês. Vamos trabalhar para que isso efetivamente aconteça, porque a lei manda que levemos em consideração esses prazos", disse Renan. A fala de Renan gerou reações de senadores aliados à presidente afastada, Dilma Rousseff, que prometeram retaliar.
No fim de semana, o STF divulgou a previsão feita em um acordo entre os dois presidentes para que a votação final comece em 29 de agosto. A divulgação desta data, no entanto, irritou o Palácio do Planalto, que tem pressa para que a questão seja definida ainda em agosto.
A preocupação do presidente interino, Michel Temer, é que ele não consiga viajar para a China, no início de setembro, para participar da cúpula dos chefes de Estado do G20, como presidente efetivo. De acordo com aliados, o peemedebista cogita cancelar sua participação no encontro caso o processo de impeachment não seja concluído a tempo.
Para tentar alterar a data, o governo interino começou a atuar junto à base aliada no Senado para que ela convencesse Renan a antecipar a fase de julgamento para o início da quarta semana de agosto, por volta do dia 25, com sessões também no fim de semana, o que viabilizaria que o processo fosse concluído ainda em agosto.
Renan almoçou com Temer nesta terça para discutir o assunto. Os dois foram acompanhados pelos senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Eunício Oliveira (PMDB-CE). Após o encontro, Jucá reconheceu que o calendário do impeachment foi discutido no almoço e disse que o objetivo é encerrar o processo ainda em agosto. "Não dá para o presidente do país chegar a uma reunião do G-20 como interino. Isso faz mal ao país", disse
Renan, no entanto, negou que Temer tenha feito um apelo pela antecipação e disse que a data provável para o incio do julgamento nada tem a ver com o G20. "É evidente que ir para a reunião do G20 nessa condição é ruim para o Brasil e para as instituições. Mas ele não falou. Já temos um calendário que já foi mais ou menos pré-definido", disse Renan, que afirmou acreditar em uma cooperação dos senadores para que a sessão final não se prolongue por mais do que cinco dias.
Para ele, a "obsessão em informar" levou técnicos tanto do STF quanto do Senado a "fazerem calendários alternativos". "Isso acaba complicando bastante", disse.
O peemedebista deve se reunir com Lewandowski nesta quarta (3) para tratar do calendário, que só deverá ser confirmado na próxima semana, após a votação prévia do relatório final no plenário, em 9 de agosto. De acordo com ele, a acusação e a defesa devem arrolar cinco testemunhas cada uma. Elas falarão durante o julgamento no plenário da Casa.
O líder da oposição, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), no entanto, protestou contra a mudança de data e disse que isso de fato acontecer, a defesa apresentará uma lista com 40 testemunhas. Este é o número que a defesa tem direito de apresentar. Entretanto, um acordo entre os dois lados limitou o número de depoimentos no plenário.
Renan também cancelou as sessões deliberativas do Senado desta quarta e desta quinta para não inviabilizar o andamento da comissão especial do impeachment, o que poderia atrasar o calendário já estabelecido.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Justiça analisa vídeo feito após agressão a Luiza Brunet, diz MP!!!

Justiça analisa vídeo feito após agressão a Luiza Brunet, diz MP

Lírio Parisotto é acusado de lesão corporal contra a atriz e passa a ser réu.
Se lesão for de natureza grave, as penas podem ser 1 ano a 5 anos de prisão.

Kleber TomazDo G1 São Paulo
Luiza Brunet falou ao Ministério Público (MP) que foi agredida mais de uma vez por Lírio Parisotto (Foto: Reprodução / TV Globo)Luiza Brunet falou ao Ministério Público (MP) que foi agredida mais de uma vez por Lírio Parisotto (Foto: Reprodução / TV Globo)
A Justiça de São Paulo analisará um vídeo feito por Luiza Brunet, de 54 anos, que mostra seu então marido Lírio Parisotto, de 62 anos, após uma suposta agressão que a atriz e modelo afirmou ter sofrido do empresário. A informação foi confirmada ao G1 pelo promotor Carlos Bruno Gaya da Costa, do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (Gevid) Ministério Público de São Paulo (MP-SP) nesta sexta-feira (28).
“É mais uma prova e está juntado no processo. Não foi recusada”, disse Gaya da Costa, que não deu detalhes sobre as imagens que foram feitas com o celular de Brunet. “Apenas não mostra o momento da agressão. É posterior. Mas mostra personalidade e ambiente.”
A assessoria de imprensa do advogado de Parisotto, Celso Vilardi, disse em nota que "lamenta que o processo tenha sido iniciado com base numa versão que já se comprovou inverídica". "Causou perplexidade a postura da acusação que se recusou ouvir testemunhas e efetuar diligências que resgatariam a verdade. De toda forma, no curso do processo Lírio Parisotto comprovará sua inocência."
Procurada pelo G1, a defesa de Luiza disse, em nota, que a decisão foi "justa e fundamentada". "[Luiza Brunet] vai se resguardar para prestar declaração na Vara de Violência Doméstica. Luiza confia no Ministério Público, na Justiça e na condenação do culpado. Denunciar a violência doméstica é sempre o melhor caminho", disse comunicado do advogado Pedro Fonseca Neto.
Na quinta-feira (27), a Justiça aceitou denúncia do MP contra Parisotto pela acusação de agredir Luiza, em maio nos Estados Unidos e em dezembro de 2015, no Brasil. Ela se separou dele após procurar a Promotoria para prestar queixa.
De acordo com o promotor Gaya da Costa, Parisotto passou a ser réu em processo por crime de lesão corporal contra Luiza. "Ele terá de ser responsabilizado nos termos da Lei Maria da Penha, que endurece a pena numa eventual condenação", disse o promotor, que embasou a denúncia nos laudos do Instituto Médico-Legal [IML]. "Ele foi acusado de ter fraturado quatro costelas dela, segundo laudo pericial, no apartamento dele em Nova York, e também de ter quebrado o dedo dela no final do ano passado."
Segundo o promotor, as lesões nos Estados Unidos foram leves e as ocorridas em 2015 foram consideradas graves. Os crimes de lesão corporal de natureza leve no contexto da violência doméstica podem ter penas de três meses a três anos de detenção; se a lesão for de natureza grave, as penas podem ser 1 ano a 5 anos de reclusão.
Luiza Brunet e Lírio Parisotto falaram sobre o incidente por meio de nota (Foto: TV Globo/Reprodução)Luiza Brunet e Lírio Parisotto falaram sobre o incidente por meio de nota (Foto: TV Globo/Reprodução)
Denúncia
De acordo com o MP, a atriz, que interpreta a personagem Madá, da novela Velho Chico, da TV Globo, procurou a Promotoria para acusar o empresário de tê-la agredido mais de uma vez durante o período de cinco anos em que eles tiveram uma união estável.
Segundo a assessoria de imprensa da atriz, a última agressão ocorreu em 21 de maio, no apartamento do então marido, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. No dia 29 de junho, ela afirmou à Promotoria que Parisotto deu um soco em seu olho, a chutou e quebrou quatro de suas costelas.
Costa orienta a todas as vítimas de violência doméstica a prestar queixa assim que forem agredidas. "Algumas mulheres esperam para denunciar seus agressores", disse. "Elas devem procurar o quanto antes e não esperarem mais agressões."
O MP confirmou que dois laudos do IML comprovaram as lesões em maio deste ano e em dezembro de 2015. "Os exames confirmaram as fraturas nas costelas e laudo indireto, feito a partir de radiografia do dedo quebrado dela, também demonstraram a lesão no ano passado."
Empresário nega acusações
Em outras ocasiões, a defesa do empresário sempre reiterou que seu cliente negou as acusações de que agrediu a atriz. Em depoimento ao MP, no último dia 14, Parisotto alegou que agiu em legítima defesa para se defender de Luiza.
“O que aconteceu em Nova York é o que aconteceu várias vezes, segundo ele, mais de dez vezes no relacionamento. Por algum motivo banal ela perde a calma, se descontrola e o agride", disse naquela ocasião ao G1 o advogado do empresário, Celso Vilardi.
Segundo o defensor, o empresário tem provas documentais de que foi agredido por Luiza desde 2013. "Vamos comprovar tudo isto. Tudo será juntado em três dias conforme eu acabei de combinar. É só imprimir. Tem Whatsapp, tem e-mail, tem várias coisas", falou Vilardi.
A defesa Parisotto enviou ao MP uma foto postada pela atriz no Instagram em 24 de maio, três dias depois da suposta agressão, em que ela não exibe marcas de lesões no rosto, de acordo com o escritório de Vilardi.
Luiza havia anexado ao processo mais de 20 fotos das lesões que a atriz alegou ter sofrido do então marido. Numa delas, que foi obtida e divulgada pelo Fantástico em 3 de julho, ela aparece com o olho direito inchado.
Em 25 de maio, a atriz havia divulgado uma foto em sua página no Facebook, quatro dias após o incidente, com parte do rosto coberto pelos cabelos e uma frase: "A maquiagem forte esconde o hematoma da alma". Luiza é embaixadora do Instituto Avon, que faz campanha contra a violência doméstica.
Por conta da queixa de violência doméstica que a atriz prestou ao MP contra o ex-marido, a Justiça decretou medidas de proteção para Luiza. O empresário está proibido de se aproximar e manter contato com ela.
Sem ter dado outra declaração a um órgão de imprensa após o episódio nos Estados Unidos, Luiza tem se manifestado por meio das redes sociais ou por sua assessoria de imprensa. Por meio de nota à TV Globo, ela declarou que seu ex-companheiro "praticou violências físicas e psicológicas gravíssimas".
"Dei publicidade ao caso para que outras mulheres vítimas de violência tomarem coragem e não se calem. Afirmo que não agredi ninguém e fui vítima de uma agressão covarde. A verdade prevalecerá", comentou a atriz.
  •  
Lirio Parisotto também compartilhou postagem da filha no Instagram (Foto: Reprodução/Instagram)Lirio Parisotto também compartilhou postagem da filha no Instagram (Foto: Reprodução/Instagram)
Ex-marido
Em sua conta no Instagram, Parisotto afirmou que já havia sido agredido anteriormente por Luiza em um passeio de barco. Segundo o empresário, a agressão, que aconteceu no ano passado, "resultou em um ferimento que precisou de 10 pontos" na perna. A atriz teria atirado uma taça contra ele.
O gaúcho Lírio Parisotto aparece como um dos homens mais ricos do mundo. O empresário atua em vários setores, como o de petroquímica e de mídia, e recentemente, na venda do Grupo RBS de Santa Catarina, afiliada da TV Globo, para um grupo de investidores, ele ficou com 25% do negócio. Ele é o segundo suplente do senador Eduardo Braga pelo PMDB do Amazonas.

Lula, Delcídio e outros 5 viram réus acusados de tentar obstruir a Justiça!!!

Lula, Delcídio e outros 5 viram réus acusados de tentar obstruir a Justiça

Eles são suspeitos de tentar comprar o silêncio de ex-diretor da Petrobras.
Denúncia foi aceita pela 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília.

Camila Bomfim e Mariana OliveiraDa TV Globo, em Brasília
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do seminário Sistema Financeiro e Sociedade, que abre a Conferência Nacional dos Bancários durante a tarde desta sexta feira (29) no hotel Holiday Inn Anhembi, na zona norte de São Paulo (Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo)Nesta sexta, Lula participou, em São Paulo, de seminário que abre a Conferência Nacional dos Bancários no hotel Holiday Inn Anhembi, na zona norte da capital paulista (Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo)
O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público e transformou em réus o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-senadorDelcídio do Amaral (sem partido-MS), o ex-chefe de gabinete de Delcídio Diogo Ferreira, o banqueiro André Esteves, o advogado Edson Ribeiro, o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai. Eles são acusados de tentar obstruir a Justiça tentando comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, um dos delatores da Lava Jato.
É a primeira vez que Lula vira réu na Lava Jato. Por meio de nota, os advogados do ex-presidente da República afirmaram que o petista já esclareceu, em depoimento à Procuradoria Geral da República, que ele "jamais interferiu ou tentou interferir em depoimentos relativos à Lava Jato".
Ainda de acordo com os defensores de Lula, "a acusação se baseia exclusivamente em delação premiada de réu confesso e sem credibilidade, que fez acordo com o Ministério Público Federal para ser transferido para prisão domiciliar" (leia ao final desta reportagem a íntegra da nota divulgada pela defesa do ex-presidente).
Delcídio foi preso em novembro do ano passado após ter sido gravado pelo filho de Nestor Cerveró prometendo à família do ex-diretor da área internacional da Petrobras que iria conversar com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar libertá-lo. À época, Cerveró estava preso preventivamente em Curitiba, acusado de participar do esquema criminoso que desviou dinheiro da petroleira, e Delcídio era líder do governo Dilma Rousseff no Senado.
Em um dos trechos do áudio gravado pelo filho de Cerveró, o ex-senador sugere um plano de fuga para o ex-dirigente da estatal ir para a Espanha passando pelo Paraguai. Na gravação, Delcídio também prometeu ajuda financeira de R$ 50 mil mensais para a família de Cerveró e honorários de R$ 4 milhões para o advogado Édson Ribeiro, que, até então, comandava a defesa do ex-diretor da Petrobras na Lava Jato.
Em contrapartida, apontam as investigações, Cerveró silenciaria em sua delação premiada em relação ao então líder do governo, a Lula, Bumlai, André Esteves e aos demais acusados.
Em maio, quando incluiu Lula, José Carlos Bumlai e Maurício Bumlai na denúncia que já havia sido apresentada ao STF contra Delcício, André Esteves, Diogo Ferreira e Édson Ribeiro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que o ex-presidente da Repúblicamanteve controle sobre as decisões do esquema operado na Petrobras. Conforme o chefe do Ministério Público, Lula também tentou influenciar o andamento da Lava Jato.
A denúncia acusa os sete de três crimes: embaraço à investigação de organização criminosa, que prevê pena de 3 a 8 anos de prisão; patrocínio infiel (quando advogado não defende corretamente interesses do cliente – os outros réus foram considerados coautores de Édson Ribeiro neste crime), que prevê pena de 6 meses a 3 anos; e exploração de prestígio, que prevê pena de 1 a 5 anos.
A decisão
No despacho que tornou réus Lula e os outros 6 acusados, o magistrado da 10ª Vara Federal de Brasília entendeu que estão presentes elementos probatórios para início de uma ação penal. Ricardo Leite concedeu prazo de 20 dias para os sete acusados se manifestarem sobre a acusação e determinou a retirada do sigilo do processo.
No despacho, o juiz também ordenou que as defesas dos réus fossem informadas por e-mail sobre a abertura da ação penal. Leite disse que decidiu informar os acusados por meio eletrônico, além da intimação oficial, porque o caso possui "interesse midiático" em razão da projeção nacional dos envolvidos na denúncia.
Nos últimos meses, Lula tem acusado magistrados e integrantes do Ministério Público de vazarem informações para a imprensa com o objetivo de promover "espetáculos midiáticos" com decisões contra ele.
Depois que os advogados dos sete réus se manifestarem, terá início a fase de produção de provas e os interrogatórios de testemunhas de defesa e acusação. Concluída esta fase, o juiz decidirá se condena ou absolve os sete acusados de tentar obstruir o trabalho da Justiça.
O que disseram os suspeitos
Convidado de um evento de bancários na capital paulista, Lula comentou nesta sexta-feira, poucas horas depois de virar réu na Lava Jato, a decisão da Justiça Federal. Em seu discurso, o petista disse que o Ministério Público e a Polícia Federal têm de provar as acusações feitas contra ele no processo (assista ao vídeo acima).
Apesar de começar seu discurso citando a denúncia, o ex-presidente comentou em seguida sobre o apartamento em Guarujá e o sítio em Atibaia, ambos imóveis localizados em São Paulo, atribuídos a ele e que são alvos de investigação da PF. No entanto, tanto o sítio quanto o duplex não têm relação com a acusação que foi aceita nesta sexta pela Justiça do Distrito Federal.
“Eu não quero falar dos meus problemas pessoais para não transformá-los em problemas coletivos, mas enquanto estou aqui conversando com vocês eu fiquei sabendo que foi aceita uma denúncia contra mim de obstrução de Justiça. [...] Eu não ia tocar no assunto, mas eu já cansei. Eu não tenho que provar que eu tenho apartamento. Quem tem que provar é a imprensa que acusou, o Ministério Público que falou que eu tenho, a Policia Federal que diz que eu tenho.”
O advogado Antonio Figueiredo Basto, que defende Delcídio do Amaral, disse que não vai comentar a decisão da Justiça Federal.
O criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, responsável pela defesa de André Esteves, lamentou a decisão que transformou seu cliente em réu. Segundo o advogado, Delcício isentou o banqueiro de envolvimento na suposta tentativa de comprar o silêncio de Cerveró, afirmando que esse papel foi atribuído pelo Ministério Público a Bumlai.
A defesa também sustenta que as suspeitas que pesavam contra Esteves foram descartadas pelo ministro Teori Zavascki quando revogou a prisão preventiva do banqueiro, em dezembro.
“Tenho muita convicção que, no julgamento colegiado do STF, a denúncia não seria recebida em relação ao André. O ministro Teori, quando determinou a soltura do André, disse que a denúncia veio com exatamente as mesmas premissas que estão no pedido de prisão. Para nós, foi uma lástima o processo não ter sido submetido à Segunda Turma”, disse o criminalista.
À frente da defesa de Édson Ribeiro, o criminalista Marcos Criciúma disse à TV Globo que refuta completamente os fatos descritos na denúncia do Ministério Pública. De acordo com os advogados, Ribeiro nunca frustrou os interesses de Nestor Cerveró, que era seu cliente até a Polícia Federal prendê-lo sob a acusação de estar envolvido em uma tentativa de calar o ex-dirigente da Petrobras.
O defensor de Édson Ribeiro também afirmou que espera que o juiz reverta a decisão e não aceite a denúncia contra o ex-advogado de Cerveró.
A defesa de José Carlos Bumlai ressaltou que não teve acesso a decisão, mas, no momento oportuno, quando for apresentada a resposta, pretende mostrar que o pecuarista não pagou nenhuma vantagem para Delcídio tentar evitar que Cerveró fizesse denúncias contra ele em sua delação premiada. Segundo o advogado de Bumlai, mesmo porque o ex-dirigente da estatal do petróleo não teria nenhuma informação comprometedora contra o empresário.
"A maior confirmação de que a informação não procede é que a delação foi, de fato, concretizada, e o próprio Cerveró já afirmou em outro processo que nunca tratou com Bumlai sobre qualquer irregularidade no âmbito na Petrobras", destacou o advogado.
O defensor de Maurício Bumlai informou que irá se manifestar somente depois que tiver acesso aos autos do processo.
G1 procurou a defesa de Diogo Ferreira, mas até a última atualização desta reportagem não havia conseguido contatar o advogado.
Temor de Moro
A denúncia foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) no começo deste ano, mas o ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato na Corte, determinou que fosse enviada para a Justiça Federal de Brasília depois que Delcídio foi cassado no Senado e, consequentemente, perdeu o foro privilegiado.
Na ocasião em que Delcídio deixou de ser senador, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo que o processo fosse enviado para o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, por entender que havia conexão dos fatos com o esquema de corrupção que agia na Petrobras.
Janot ponderou que, parte dos denunciados, como José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai, e o próprio Cerveró já são alvos de processo no Paraná, portanto, o processo deveria ser enviado para Curitiba. A defesa dos acusados, contudo, contestou o pedido para que o processo ficasse sob a responsabilidade de Moro.
Os advogados do banqueiro André Esteves, sócio do banco BTG Pactual, argumentaram que o suposto crime foi cometido em Brasília e, por isso, deveria ficar sob a jurisdição da Justiça do Distrito Federal.
Já a defesa de Lula ponderou que o caso deveria ir para a Justiça Federal de São Paulo porque os fatos que originaram a denúncia ocorreram naquele estado.
O ministro Teori Zavascki reconheceu que o que permitia que o inquérito seguisse no Supremo era o foro privilegiado de Delcídio. Mas, depois que ele foi cassado, o caso deveria continuar na primeira instância, frisou o ministro.
Mas ele entendeu que o próprio Supremo já decidiu que não há a chamada "prevenção" para o que não se referir especificamente à corrupção na estatal. Segundo o ministro, a definição do juízo que deve tocar o caso deve ser feita conforme o local onde o crime foi cometido.
Conforme o ministro, os delitos ocorreram no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília, "com preponderância desta última porque onde desempenhava o ex-parlamentar sua necessária atividade".
Teori Zavascki também frisou que foi em Brasília que o filho de Cerveró, Bernardo, gravou a conversa que deu origem à descoberta da trama.